A verdade não é um conceito único. Gregos a chamavam de alḗtheia, romanos de veritas, hebreus de emunah. Cada termo revela uma dimensão diferente, e complementar, do que significa viver na verdade.
O que é a verdade? Essa é, talvez, a pergunta mais importante que um ser humano pode fazer. E não por acaso, três grandes tradições da civilização ocidental ofereceram respostas distintas e complementares a essa questão.
Alḗtheia: a verdade como des-velamento
Em grego, a palavra para verdade é alḗtheia, composta pelo prefixo de negação a e lḗthe, que significa esquecimento. A verdade, portanto, é o não-esquecimento. É aquilo que não me deixa esquecer a realidade.
O rio Lete, na mitologia grega, é o rio do esquecimento. Platão conta, no mito de Er, que as almas, antes de se unirem ao corpo, passam pelo rio Lete e esquecem o que sabiam. A verdade é o contrário desse esquecimento: é a manifestação da realidade aos olhos do intelecto humano.
Veritas: a verdade como fidelidade ao fato
Para os romanos, veritas tem a ver com precisão, exatidão e fidelidade no relato. Não se trata tanto da relação entre o ser e o conhecimento, mas da correspondência entre o que aconteceu e o que se diz sobre o que aconteceu.
Como explica o professor Joel: a veritas é não poder colocar nada e não poder tirar nada. É a compreensão de que o verdadeiro se refere à linguagem como narrativa dos fatos. O oposto do verdadeiro, nesse sentido, não é o falso, é a mentira, que é a manipulação deliberada da linguagem para enganar.
Emunah: a verdade como confiança
Na tradição hebraica, emunah tem a ver com confiança. A verdade, nessa perspectiva, é a presença de alguém que prometeu algo e que, de fato, cumprirá. É uma verdade referida ao futuro, à esperança, à aliança.
Para o cristão, a forma mais elevada de verdade é a revelação divina, aquilo que foi prometido por Deus. O Antigo Testamento é o livro das promessas; o Novo Testamento é o livro das realizações.
Três verdades, um caminho
Essas três dimensões não se excluem. A verdade lógica é a conformidade da nossa inteligência à realidade. A verdade ontológica é a conformidade da coisa à inteligência de Deus. A verdade moral é a conformidade das nossas palavras aos nossos pensamentos e sentimentos.
Compreender essas três dimensões é o primeiro passo para viver na verdade, não como conceito abstrato, mas como atitude diante da vida.



