O que é filosofia: por que o amor à sabedoria é o ponto de partida de toda formação
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Filosofia

O que é filosofia: por que o amor à sabedoria é o ponto de partida de toda formação

26 de fevereiro, 202678

A palavra filosofia carrega em si um significado profundo: não é posse de sabedoria, mas um impulso de busca. Entenda por que o filósofo é, antes de tudo, um amante do saber, e por que isso importa para a sua formação.

Por que a verdade? Por que isso? Por que aquilo? Perguntas como essas estão na raiz de toda a atividade filosófica. Não são perguntas retóricas, são perguntas existenciais que nos colocam diante da realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse.

Filosofia: amor, não posse

O termo filosofia vem do grego: filo (amizade, amor) e sofia (sabedoria). O filósofo não é um sábio, é um amante da sabedoria. Essa distinção, que pode parecer sutil, é fundamental. Como explica o professor Joel em aula no COR Academia, o filósofo é alguém que tem consciência de algo extremamente importante e que ele não tem. Essa consciência da própria ignorância é o que o move.

O Eros platônico como impulso filosófico

Platão, na obra O Banquete, apresenta Eros como filho de Penia (a carência) e Poros (o engenho). Eros não é deus nem homem, é um daimon, um intermediário. Ele busca a sabedoria justamente porque não a possui. Se fosse um deus, não precisaria buscar. Se fosse um tolo, não saberia que lhe falta algo.

Esse impulso erótico, no sentido filosófico, é o que nos move a transcender o mundo das necessidades imediatas e buscar o que é permanente, belo e verdadeiro. Eros, portanto, é filosofia: desejo pela sabedoria. E é filocalia: desejo pela beleza.

A filosofia não é artigo de luxo

Josef Pieper, um dos maiores pensadores do século XX, alerta para o perigo de reduzir a existência ao mundo do trabalho, ao mundo das utilidades, das funções, dos resultados. A filosofia exige que o ser humano dê um passo além do óbvio. Não se trata de abandonar o cotidiano, mas de não se deixar aprisionar por ele.

Como diz Joel: as coisas mais belas são as mais difíceis. Se eu quero contemplar o que é mais belo, eu preciso ter paciência e esforço. É por isso que paciência tem relação com suportar, não no sentido de resignação passiva, mas de fortaleza interior.

O que leva o ser humano a filosofar

Três grandes autores respondem a essa pergunta. Platão fala em espanto (thaumazein). Aristóteles fala em admiração. São Tomás de Aquino acrescenta que o ser humano não se contenta em conhecer superficialmente, ele quer atingir a causa última das coisas.

Esse espanto não é susto. É uma tomada de consciência de que, por mais que você saiba, há muito que você ainda não viu. É uma abertura para a realidade que precede qualquer teoria ou sistema.

Por que isso importa para a formação

A formação clássica não se trata de acumular informações. Trata-se de ordenar a vida por dentro, de cultivar virtudes intelectuais e morais, de aprender a pensar com rigor e a viver com propósito. A filosofia é o alicerce dessa formação, porque sem ela, todo o resto fica sem fundamento.

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