Toda lógica clássica se fundamenta em três princípios. Negá-los não é apenas um erro teórico, é uma impossibilidade prática. Entenda por que esses princípios são a base de todo pensamento correto.
Uma lógica é clássica se respeita três princípios fundamentais. A lógica que nós usamos no dia a dia, a lógica espontânea, segue esses três princípios naturalmente. Conhecê-los é o caminho para pensar com mais rigor.
Princípio da identidade
O ser é o que é. Cada coisa é idêntica a si mesma. Para todo x, x é igual a x. Parece óbvio, e de fato é. Mas, como explica o professor Bertato, existe uma forma de negar esse princípio: colocando o tempo. Nós não somos iguais em todos os aspectos ao que éramos há um ano. Porém, existe o princípio de identidade quando consideramos a coisa ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto.
Princípio da não-contradição
Uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, sob o mesmo aspecto. Isso tem três versões: a versão lógica (sobre proposições), a versão metafísica (algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo) e a versão psicológica (eu não posso estar certo e errado na mesma coisa ao mesmo tempo).
Aristóteles enunciou de forma cuidadosa: uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto. Tomás de Aquino vai além: o princípio de não-contradição é algo indemonstrado, porque é evidentemente verdadeiro. É algo dado.
Princípio do terceiro excluído
Uma proposição ou é verdadeira ou é falsa. Não há terceira possibilidade. Entre uma proposição e sua negação, não há meio-termo. Esse princípio pode ser negado em certos sistemas lógicos, as lógicas paraconsistentes, por exemplo, admitem contradições sem explodir. E as lógicas polivalentes admitem mais de dois valores de verdade.
Mas a lógica tradicional, a que usamos para pensar, argumentar e tomar decisões, é clássica. E respeita esses três princípios.
Por que isso importa
Sem esses princípios, não há argumentação possível. Não há diálogo. Não há ciência. A lógica clássica é o fundamento do pensamento correto, e conhecê-la é o primeiro passo para não ser enganado por discursos sofisticados, mas vazios de conteúdo.



